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O seu carisma, ao se projetar de uma forma cômica e completamente inconsequente, colocando-se claramente como motivo de risadas acerca do seu nome artístico – o que muitos acreditavam que era Igor Guilherme por conta das suas iniciais –, o tornou um nome a se observar mais calmamente, principalmente com o seu projeto mais certeiro, o já citado MEU NOME NÃO É IGOR%, repleto de hits cativantes e produção orgânica, com loops de vocais sórdidos em contraste com a clássica produção do funk paulista mainstream, até o uso de alguns instrumentos ao vivo. A partir dali, ficou claro que a saturação de gênero se fez presente em sua carreira, emplacando ainda mais hits enlatados e as famosas posse cuts do funk, os medleys, em que inúmeros MCs falam sobre o mesmo assunto em mais de 7 minutos de música, às vezes com inflexões vocais diferentes, raras as exceções.
Em seu novo projeto, MC IG se distancia ainda mais da boa forma que o colocou como o nome visado dentro do espectro do funk mainstream, com as faixas sendo repetições excessivas, vazias e até irritantes de ideias que já foram usadas, recicladas inúmeras vezes. Nada aqui cativa, completamente nada. Denoto também a extensão de sua duração, uma necessidade artística que inúmeros funkeiros observaram para inflar números, por conta da supressão de mais de 5 medleys desnecessárias em um álbum de estúdio.
Não há completamente nada que destoe ou até impressione. Há elementos e instrumentos que fogem do cotidiano, como em “Quase Que”, com uma boa introdução de baixo, mas logo entra mais uma voz conhecida falando sobre o erotismo dela da mesma forma que já foi visto. Nem mesmo o instrumental criativo supera o marasmo cotidiano que cerca essa vertente. Na descrição do projeto na Apple Music, há os dizeres: MC reflete sobre os contrastes do cotidiano em seu novo projeto.
É de quase um ultraje agressivo que a Apple Music diga que há uma certa substância em um projeto como este, cujas rimas mais vistas são fresh frozen, evoque e hoje. O excesso de vozes é ainda mais ultrajante, já que as vozes que compõem o disco só reforçam o discurso do anterior, tornando-se um eco vazio e sem qualquer motivo. Se quem está vivo está vivendo nesse álbum, é preferível a morte. É incrível e completamente desoladora a derradeira queda de qualidade em um MC promissor.
Selo: Warner Music Records
Formato: LP
Gênero: Funk / Trap