Crítica | WOR$T GIRL IN AMERICA


★★★★

WOR$T GIRL IN AMERICA é um bem bolado de electroclash e recession pop, com um toque autoral de muita personalidade. Slayyyter não poupa em construir um universo glamouroso e decadente em suas composições e em seus visuais. Ela escreve sobre vestir roupas vintage, sobre problemas com o pai, sobre crescer em subúrbios do Missouri ouvindo o The Fame e sobre a cena indie que estourava no final dos anos 2000 e início dos anos 2010 em seus iPods, enquanto mexia em seu Tumblr, e sobre suas tendências autodestrutivas.

O álbum se configurou como um dos mais aguardados desse ano após seus ótimos singles. O electroclash predomina no disco, e Crystal Castles é uma das principais referências aqui. Na melancólica e pulsante “GAS STATION”, Slayyyter canta sobre uma memória ruim com seu pai, de quando ele a abandonou em um posto gasolina. É uma faixa que bebe bastante da fonte do Duo canadense, assim como os sintetizadores que lembram sons de jogos eletrônicos em “OLD TECHNOLOGY”.

A primeira faixa, o single “DANCE…”, é como a sensação de estar na fila de uma boate, do lado de fora, e o som aumenta à medida que você se aproxima da entrada, o que gera uma certa ansiedade no ouvinte, que só é saciada aos 55 segundos da faixa, quando ocorre uma virada de beat: um electropop marcante. A saída da faixa talvez seja a sua melhor parte, por Slayyyter servir lindos vocais. “Sex, money, drugs, chains on my chest, that vintage Celine”, é simples o fato de que esses são os versos mais icônicos do WOR$T GIRL IN AMERICA, eles abrem o single e potencial hit orgânico “Beat Up Channel” cantados em uma ponte eletrizante. Se “DANCE…” nos convida à pista de dança , “BEAT UP CHANEL$” firma a nova era da artista; é uma síntese de todo esse universo, com motéis de beira de estrada e os fogos do 4 de julho como plano de fundo.

Em entrevistas, Slayyyter contou que cogitou em fazer esse álbum como se fosse o último da sua carreira, o que a fez não ter medo de experimentar e ousar na produção e nas diversas maneiras de encaixar seu alcance vocal, “Oh, it’s on, I want (ah-ah-ah)…” Slayyyter grita em “CANNIBALISM!”, como se usasse um megafone para amplificar sua voz. “YES GODDD” é uma música de apelo industrial, seus sintetizadores distorcidos se misturam com guitarras pesadas, além das transições que criam uma atmosfera tão sombria, era tudo o que queríamos ver no Mayhem ano passado. Chocante, agressivo, quase como se quisesse simular a sensação de estar bêbado numa balada a ponto de só ouvir dissonâncias e enxergar flashes, é um dos melhores momentos do álbum.

“I’M ACTUALLY KINDA FAMOUS” tem muito do “Cannibal” de 2010, é provocante, e ao mesmo tempo tão divertida quanto a era da Kesha citada. O recession pop toma conta da faixa e nos faz voltarmos há 15 anos atrás. Mas é em “OLD FLING$” que Slayyyter brilha com toda potência. A faixa é uma balada dançante, um dance-pop, que parece ter vindo da billboard 100 do final dos anos 2000, com um curto trecho cantando, ele tem uma das melhores produções do álbum. WOR$T GIRL IN AMERICA se arrisca sem medo, é explícito, vulnerável, sedento por sangue e irresistível. A pior garota da América está melhor do que nunca.

Selo: Columbia Records
Formato: LP
Gênero: Pop / Eletroclash, Dance-Pop

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